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Matéria publicada em 28/04/2015.

28 ABRIL DIA INTERNACIONAL EM MEMÓRIA DAS VÍTIMAS DE ACIDENTES E DOENÇAS DO TRABALHO

 A Organização Internacional do Trabalho (OIT) desde 2003 consagra essa data à reflexão sobre a segurança e saúde no trabalho. Essa data surgiu no Canadá por iniciativa de movimentos sindicais,federações locais e internacionais.

O CEREST-Ijuí localiza-se na região Noroeste do RS e tem sua ação voltada a alguns municípios da mesma, esta região é uma das que mais usa agrotóxicos no RS e Brasil, devido a sua grande área de produção agrícola, está sensibilizado e cumpre seu papel de alertar para os riscos de intoxicação aguda e crônica pelos agrotóxicos para a população.

 Os agrotóxicos são produtos químicos sintéticos usados para matar insetos ou plantas no ambiente rural e urbano. No Brasil, a venda de agrotóxicos saltou de US$ 2 bilhões para mais de US$7 bilhões entre 2001 e 2008, alcançando valores recordes de US$ 8,5 bilhões em 2011, conforme o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para defesa agrícola – SINDAG.  Já em 2009, alcançamos a indesejável posição de maior consumidor mundial de agrotóxicos, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas, o que equivale a um consumo médio de 5,2 kg de veneno agrícola por habitantes (INCA, 2015)

O atual modelo de cultivo, com o intenso uso de agrotóxicos, gera grandes malefícios como poluição ambiental e intoxicação de trabalhadores e da população em geral. As intoxicações agudas por agrotóxicos são as mais conhecidas e afetam, principalmente, as pessoas expostas em seu ambiente de trabalho (exposição ocupacional). São caracterizadas por efeitos como irritação da pele e olhos, coceira, cólicas, vômitos, diarréias, espasmos, dificuldades respiratórias, convulsões e morte. Já as intoxicações crônicas podem afetar toda a população, pois são decorrentes da exposição múltipla aos agrotóxicos, isto é, da presença de resíduos de agrotóxicos em alimentos e no ambiente, geralmente em doses baixas. Os efeitos adversos decorrentes da exposição crônica aos agrotóxicos podem aparecer muito tempo após a exposição, dificultando a correlação com o agente. Dentre os efeitos associados à exposição crônica a ingredientes ativos de agrotóxicos podem ser citados infertilidade, impotência, abortos, malformações, neurotoxicidade, desregulação hormonal, efeitos sobre o sistema imunológico e câncer.

Outras questões merecem destaque devido ao grande impacto que representam. Uma delas é o fato do Brasil ainda realizar pulverizações aéreas de agrotóxicos, que ocasionam dispersão destas substâncias pelo ambiente, contaminando amplas áreas e atingindo populações. A outra é a isenção de impostos que o país continua a conceder à indústria produtora de agrotóxicos, um grande incentivo ao seu fortalecimento, que está na contramão das medidas protetoras aqui recomendadas. E ainda, o fato de o Brasil permitir o uso de agrotóxicos já proibidos em outros países.

Considerando o atual cenário local e do Brasil recomenda-se a redução progressiva e sustentada de agrotóxicos, o uso de EPC (equipamentos de proteção coletiva, como máquinas cabinadas) e EPI( equipamentos de proteção individual) pelos trabalhadores rurais, a limitação e orientação para aviação agrícola e apoio governamental para produção de produtos orgânicos,como isenção de impostos e orientação para o cultivo desses  produtos.

No ano de 2015, o CEREST- Ijuí , integrou-se ao Grupo de Estudos sobre Agrotóxicos formado em Ijui por várias entidades preocupadas com o cenário atual, entre elas,  EMATER, UNIJUI ( Departamento de estudos Agrários), 17ª CRS, AIPAN, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Secretaria Municipal do Meio Ambiente,.... Participou da I Audiência Pública Sobre Impactos do uso de Agrotóxicos na Saúde Pública, Meio Ambiente e Consumidor, que foi sediada em Ijuí. Ainda, em sua programação para este ano está a V Jornada em Saúde do Trabalhador, que enfocará o tema “A Saúde do Trabalhador e os Agrotóxicos” e está prevista para 8 e 9 de setembro.

Tania Dal Pozzo Sartori

                   Médica do Trabalho-Cerest -Ijuí


Referência:

BRASIL. Posicionamento do Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva acerca dos Agrotóxicos. Ministério da Saúde, INCA, 2015.